Como nossos pais

Padrão

Estou aqui programando um sistema e ouvindo minhas músicas no spotify. De boa.
Quando começou a tocar a letra “Como nossos pais”, de Elis Regina. Já ouvi muito esta música, mas só agora me toquei de algo que sempre busquei em minha vida, depois que adquiri certa independência intelectual: não viver como meus pais.

No primeiro momento, pode soar estranho. Mas a lógica é simples: eu chego ao mundo no exato ponto em que meus pais estão. Se eu não sair deste ponto, eu não evoluí. Compreende?

Se meu pai chegou até o ensino médio, é uma obrigação minha concluir uma faculdade. Toda a bagagem de vida dos meus pais vai me levar facilmente a conclusão do ensino médio. Evoluir, por força própria, seria concluir uma faculdade.

Esse raciocínio baliza meu apoio, por exemplo, aos programas sociais voltados aos mais pobres e negros. Raciocina comigo: Seu bisavô fazia o que lá em 1900? As oportunidades e experiências de seu bisavô levaram seu avô a começar mais a frente. É o mesmo exemplo que dei acima: se meu pai fez o ensino médio, é extremamente provável que eu também vá concluir o ensino médio.

O bisavô de um negro, certamente, era um escravo recém liberto. O avô deste mesmo negro começou muito lá atrás de qualquer um que não era filho de um ex-escravo. É aí que eu julgo importante a gente dar uma pouco mais de igualdade aos negros e pobres, pois as aquilo que seus antecedentes viveram e experimentaram tem total influência sobre as oportunidades e caminhos que a vida vai lhe apresentar.

Então, não sejamos como nosso pais. Sejamos aquilo que eles foram e mais um pouco. Matematicamente falando, sejamos x+1.